diálogos poéticos





Mercedes Viegas arte contemporânea

Rio de Janeiro

até 14 de abril de 2012








Imagens Amadas, 2010 (obra em processo)

terracota pintada, pregos

dimensões variáveis

fotos Julia Vaz




Inventário, 2010 (obra em processo)

fotografias sobre foam board, prateleiras de madeira

dimensões variáveis

fotos Julia Vaz












DIÁLOGOS POÉTICOS:



o fazer cerâmico híbrido


Como mostrar a relação que as pessoas mantêm com seus objetos cerâmicos utilitários no cotidiano, contaminados de afetos, que celebram tanto momentos triviais quanto importantes de suas vidas e, por vezes, se transformam em relíquias? Essa foi uma das questões presentes na gênese das obras Inventário e Imagens Amadas, apresentadas nesta exposição. Embora envolvidas em processos poéticos distintos, as obras dialogam entre si.


Inventário mostra a banalidade e o requinte da vida cotidiana, as cenas domésticas aleatórias ou as propositalmente organizadas e apresenta o potencial da cerâmica utilitária (poteria e louça fina) enquanto imagem fotográfica, que revela a funcionalidade, a obsolescência, os ritos diários, o que guardam de lembranças. A obra reconfigura o sentido da cerâmica na medida em que expõe as fotografias sobre prateleiras – elas são apreendidas, também, enquanto objetos, a representação da representação. Uma síntese visual híbrida entre fotografia e cerâmica.



A instalação Imagens Amadas é composta por vasta tipologia – desenhos coloridos de terracota, contornos de vasos, jarros, panelas, vasilhas, bules, xícaras etc. – montada sobre as paredes, gerando um espaço imersivo, híbrido entre cerâmica e desenho. O processo poético está centrado na produção artesanal da linguagem tradicional da cerâmica popular, na queima em forno a lenha, no trabalho colaborativo.


Da mesma maneira que fui recebida por várias pessoas em seus lares para a produção da série fotográfica, as recebi em meu ateliê e modelamos os desenhos das formas utilitárias de cerâmica, tanto as historicamente construídas como as que predominam nos arquivos visuais e afetivos meus e delas.


A familiaridade naturalmente revelada pelas pessoas em torno desse tema facilita a entrega sensível, necessária à construção de nexos participativos, de diálogos – afinal, só amamos o que conhecemos, o que nos foi ofertado experienciar.

Rosilda Sá, fevereiro de 2012


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