terracota

Usando ARGILAS oriundas de regiões do Estado da Paraíba, produzi várias obras onde se evidenciam cores, tons e efeitos diversos da matéria queimada em baixa temperatura (entre 600 - 1000ºC), em fornos que utilizam combustíveis sólidos para a obtenção da TERRACOTA. Na minha produção artística, priorizo essa matéria e os sistemas elementares de queima.

Cortina (da série Fios), detalhe

dimensões variáveis

foto Íris Helena

cocção

PEQUENO FORNO DE ESTRUTURA FIXA A LENHA
(fornada para teste)


Principal etapa do processo cerâmico, a queima diferencia o resultado final, e pode contribuir para a definição de uma poética. A cerâmica resulta de um ciclo dinâmico entre os elementos da natureza, que se interagem, finalizando com a queima. A partir da emissão de fogo/calor durante um período determinado, operam-se reações físicas e químicas concretas, irreversíveis, produzindo dureza e resistência ao corpo cerâmico, acompanhadas de variações no peso, na coloração, na sonoridade e nas dimensões. Mas também é a etapa onde ocorrem os imprevistos, as perdas das peças, a abertura do forno é sempre uma surpresa. Por isso, aprofundei os estudos sobre fornos e queimas com enfoque na tecnologia primitiva que utilizam combustíveis sólidos e ressaltei, na minha produção, os resultados obtidos com esta etapa do processo, impregnados de energias, evidenciando as primeiras qualidades sensíveis da matéria, com o diferencial dos efeitos provocados pelo contato das chamas e das cinzas das madeiras sobre as superfícies das peças.

Rosilda Sá





Ivanildo Oliveira (assistente)

fotos Rosilda Sá

RECOMENDO VISITAR OS BLOGS:

DOMADORES DE FUEGO

http://domadoresdefuego.blogspot.com/

WALI HAWES
(um dos maiores especialistas em construção de fornos para cerâmica)

produção e pesquisa


REDES VIVAS: nexos poéticos mediados pela cerâmica contemporânea

Com o objetivo de construir uma poética artística para ser apresentada numa exposição final, esta pesquisa em linguagens visuais contemporâneas pretende documentar e refletir sobre a construção de obras centradas na linguagem da cerâmica que dialoga com nexos associados ao princípio da rede. Estrutura conceitual a rede é processo não-linear, foca nas relações sistêmicas, ecológicas. As redes que interagem com outras redes, formando redes de relações, integrando várias dimensões da vida, inclusive, como nexo necessário para a compreensão da natureza da vida. Trabalhar com a cerâmica através dos seus elementos constitutivos é vivenciar a relação sistêmica entre Natureza, vida e arte; experienciá-la enquanto linguagem visual contemporânea, misturando materiais e procedimentos poéticos, formais e conceituais, contribui para hibridizar e expandir seu campo e seu conceito já contaminados, reflexo do contexto da arte contemporânea. Sendo assim, além das teorias específicas, será construída uma rede de encontros em torno da cerâmica no espaço da vida diária, além de aproximações e diálogos entre artistas e obras afins.

Rosilda Sá - diagrama visual da pesquisa


Profa. Dra. Maria Celeste de Almeida Wanner (Orientadora)

Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV)
Escola de Belas Artes (EBA)
Área de Poéticas Visuais Contemporâneas
Linha de Pesquisa: Processos Criativos nas Artes Visuais

mestre vitalino e pierre verger


VITALINO E VERGER
a arte do barro e o olhar da arte

Para celebrar o centenário de nascimento de Vitalino Pereira dos Santos, Mestre Vitalino, o Museu Casa do Pontal e a Fundação Pierre Verger apresentam até o dia 31 de outubro de 2010, a exposição “Arte de Barro e Olhar da Arte – Vitalino e Verger". São 81 fotografias feitas pelo fotógrafo e pesquisador francês Pierre Fatumbi Verger documentando o trabalho de Mestre Vitalino, ao lado de 81 esculturas do artista, que integram o acervo do Museu Casa do Pontal, a instituição com o maior número de obras de Mestre Vitalino. Verger fotografou minuciosamente o processo de modelagem da cerâmica. Acompanhou o artista na coleta do barro e depois seguiu pacientemente cada etapa de feitura da obra. Foi junto com Vitalino até o rio, onde ficam as jazidas de barro. Registrou a obra sendo posta no forno a lenha e, depois de pronta, seguiu até o local de venda, na famosa Feira de Caruaru. A mostra pode ser vista de terça a domingo, das 9h30 às 17h. O Museu Casa do Pontal fica na Estrada do Pontal 3.295, no Recreio dos Bandeirantes. Rio de Janeiro. Os ingressos custam R$4 (inteira) e R$2 (meia).














Vitalino tinha 37 anos quando foi fotografado por Verger, antes de ser reconhecido na década de 1950

Pierre Verger nasceu em 1902. Foi um bon vivant até os 32 anos, quando descobre a fotografia e a paixão por viagens. Foram 14 anos circulando pelo mundo, produzindo fotos para revistas e jornais franceses. Ao desembarcar na Bahia em 1946, o coração e o olhar de Verger ficam fascinados pela cultura do lugar. Descobre o candomblé, ao seu ver, fonte da vitalidade do povo baiano. Em 1988, Verger cria a Fundação Pierre Verger e transforma a própria casa em centro de pesquisa. Morreu em Salvador, em 1996.

Maiores informações:
http://www.pierreverger.org/