NEXOS #3 - fundação espaço cultural, joão pessoa


Nexos#3, 2008
Argila, madeira, tela de arame, tecido, terracota, pregos, fios de metal e elástico, cascalho, citação da carta do cacique Seattle ao Presidente dos EUA em 1885
Dimensões variáveis
Vista da Sala Especial - Rosilda Sá, durante o XII Festival Nacional de Arte, Fundação Espaço Cultural, João Pessoa
fotos Adriano Franco e Verônica Belli (acima), Rosilda Sá (abaixo)





"O contato com a argila, matéria informe, matriz, permissiva, plástica revela uma poética artesanal. A decorrência desse encontro favorece a compreensão de analogias, imersões, revelações de metáforas. Modelar a argila é gesto ancestral, evoca de maneira simbólica devaneios imemoriais e involuções. Ação dirigida à matéria, modelar requer contato corporal, manipulações, acúmulos, repetições, dentre outros procedimentos, que no caso particular desta obra, apresenta relações lúdicas, experimentais, híbridas, contaminadas e expandidas...

...Uma das pesquisas revolucionárias na nova linguagem científica é a do físico Fritjof Capra. No livro “A teia da vida”, ele descreve os inter-relacionamentos e as interferências entre fenômenos psicológicos, biológicos, físicos, sociais e culturais, ajudando a nos ver a realidade, o mundo e a vida de outra forma, apontando para a “alfabetização ecológica” e a necessidade de nos reconectar com a teia da vida, construindo, nutrindo e educando “comunidades sustentáveis, nas quais podemos satisfazer nossas aspirações e nossas necessidades sem diminuir as chances das gerações futuras” (CAPRA, 2006, p.231)....

...Provavelmente a matéria mais representativa para tratar destas questões seja a argila/terra, afinal ela está no centro do exemplo mais difundido a respeito da história cósmica a qual o homem atribuiu à sua gênese – o homem veio da terra e a ela retornará. O trabalho do ceramista se assemelha ao da própria criação divina do homem, como um demiurgo. Incorporando a força dos elementos primordiais da natureza, onde a água amolece a terra, o ar seca e o fogo a endurece, num ciclo dinâmico, mantendo esses elementos em profunda simbiose."


Rosilda Sá


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Referências

CAPRA, Fritjof. A teia da vida : uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Tradução Newton Roberval Eichemberg, São Paulo: Cultrix, 2006.

SÁ, Rosilda. Sistemas elementares de queima : uma alternativa para as aulas de cerâmica. João Pessoa, 2001. Monografia (Especialização em Artes) – Departamento de Artes, Universidade Federal da Paraíba.

_____ ; CHAVES, Dyógenes. Relações, conexões, vínculos: amplexos. In: Segunda Pessoa. João Pessoa, Ano 2, n. 2, out-dez 2007. Entrevista.


Montagem Ivanildo Oliveira e Rosilda Sá

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NEXOS – videopoema documental


direção Chico Dantas


Exposta numa Sala Especial durante o XII FENART – Festival Nacional de Arte, na Fundação Espaço Cultural, em João Pessoa, entre 19 e 26 de abril de 2008, a instalação Nexos #3 apresenta uma teia rica em movimento, formada de laços, de nós construídos de argila endurecida pela queima (terracota) e fios de metal e elástico presos com pregos sobre a parede. Nexos é uma obra que está em processo. Ao ser tema deste vídeo, o processo se expande, não é mais individual, mas compartilhado, pois motiva a criação de uma nova produção artística.

Chico Dantas denomina seu trabalho de vídeopoema documental, norteado pela citação da carta do cacique Seattle: “Tudo está entrelaçado, o homem não teceu a trama da vida, ele é apenas um fio...” – que faz parte desta obra –, ele entrelaça suas leituras sobre a instalação sem fugir do que Jorge Coli considera a “ética da obra”. Ao contrário, ele capta o que já está exposto e dá nexos às coisas, inclusive, mostra as reações do público que a vivencia. Ao fazer o que designa edição de espírito, ele, intuitivamente valoriza aspectos que o olho humano não vê, mas que a câmera registra e que são revelados no processo de edição – para ele, “só tem vida se tiver um bom caráter”.

Inspirado pela elasticidade dos fios que compõem a instalação e usando recursos digitais, o diretor transformou a dureza da argila queimada em flexibilidade e criou a animação das figuras dos nós, envolvendo um diálogo entre movimentos, formas, sons e cores. Desta maneira, ele nos dá a impressão de ter voltado ao estado original da argila, com a sua plasticidade.
O áudio foi gravado ao vivo com a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba e o Coral da UNIPÊ interpretando a música “Ameno” do grupo Era, sob a regência do maestro Luiz Carlos Durier.

Rosilda Sá


disponível para empréstimo na biblioteca central da ufpb, campus I, joão pessoa


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No final de 2008, este grupo de pesquisa foi reestruturado e passou a ser denominado MAMETO - MAtéria, MEmória e conceiTO em poéticas visuais contemporâneas.
Líder Profª Drª Maria Virgínia Gordilho Martins (PPGAV/EBA/UFBA)
design Fábio Gatti
foto Verônica Belli
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Um comentário:

  1. Mary Tacyana09 outubro, 2009

    Gostei muito legal seu blog.
    bjs
    Tacyana

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