DISTORÇÕES (performance) - VI colóquio franco-brasileiro de estética, salvador

DISTORÇÕES

artistas eduardo góes, carolina larrea, darlene bezerra, jadilson pimentel, rosilda sá, victor venas e wagner lacerda
direção ricardo biriba

Realizada durante o VI Colóquio Franco-Brasileiro de Estética – O Sensível Contemporâneo, no hall da reitoria/ufba, 1 de junho de 2009





Essa performance “Traz à tona expressividades latentes oriundas de manifestações cotidianas utilizando a argila, o papel e a poesia tecidas nos corpos distorcidos da arte de ação.” (*)

*Folder com a programação do evento internacional

fotos claudia nen

DOCE DE SANTO - galeria acbeu, salvador



DOCE DE SANTO

galeria ACBEU, salvador
junho 2009
curadoria josé henrique barreto e luis claudio campos
design gráfico barbara tercia
fotos (abaixo) rosilda sá





Trata-se de uma exposição de um coletivo de artistas de curadoria de Luis Cláudio Campos e José Henrique Barreto pensado para recortar e pontuar fragmentos de vivências da cultura popular.


Caracteriza-se como uma mostra processual, pois se inicia com 200 artistas, mas estará aberta a adesão de novos trabalhos até que seja alcançado o número de 365 artistas fazendo a releitura de um mito baiano: uma igreja para cada dia, um santo para cada igreja e um artista para cada dia. Dessa forma os trabalhos apresentados criam possibilidades de complementação na medida em que novas obras são acrescentadas à proposta inicial.


O experimento permite estabelecer um diálogo entre a matéria, a idéia e o fazer artístico ao longo do processo criativo: um artista para cada dia do ano e seu olhar diferenciado sobre seu objeto de trabalho. Assim, os artistas integrantes, propiciam um entrelaçamento das suas poéticas visuais, além de possibilitar a interlocução com a vivência de outros pela criação de uma obra processual.


Inicialmente foi escolhido trabalhar com os santos Cosme e Damião por estarem associados aos doces e guloseimas distribuídos por ocasião da sua festa, sendo ampliado, posteriormente, para qualquer forma de leitura sobre o “duplo” até as poéticas individuais de cada artista. A mostra é composta de fotografias das obras de arte, aprisionadas em vidros de doce, como compotas.


Esta proposta tem voz ampla e aborda repertórios de inteligibilidade de ações que evocam passagens temporalmente construídas na relação com o outro.


http://www.acbeubahia.org.br/cultural/gal_virtual.asp?id=68&p=1


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FORNO de PAPEL (vídeo)



SINOPSE

Enfocando o processo coletivo de construção do forno de papel, este vídeo didático-poético apresenta duas experiências realizadas com alunos de cerâmica da Universidade Federal da Paraíba. São apresentados todos os detalhamentos da construção e operação até o imprevisível final, onde o forno pode desmoronar ou não; no entanto, por causa de sua efemeridade, ele tem que ser desmontado para a retirada das peças queimadas. Com imagens poéticas, acompanhadas pela delicada trilha sonora original composta por Marcílio Onofre, o vídeo registra um sistema alternativo de queima cerâmica.

Ficha Técnica

direção Rosilda Sá
roteiro Rosilda Sá, Daslei Ribeiro, Maíra Niaz, Roberta Crispim, Marcelo Coutinho
edição Rosilda Sá, Daslei Ribeiro, Marcelo Coutinho
técnicos de edição Daslei Ribeiro, Marcelo Coutinho, Thiago Marques
trilha sonora original Marcílio Onofre
câmera Rosilda Sá (VHS-C)
finalização Marcelo Coutinho, Thiago Marques
produção Universidade Federal da Paraíba, Pólo Multimídia, Laboratório de Desenvolvimento de Material Instrucional – LDMI
supervisão de produção Carmélio Reynaldo

duração 7’04”

2007

disponível para empréstimo na biblioteca central da ufpb, campus I, joão pessoa
http://www.biblioteca.ufpb.br/

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MESTRE ABIMAEL E A QUEIMA CERÂMICA: compartilhando saberes tradicionais (vídeo)



SINOPSE

O vídeo apresenta a construção do forno de estrutura fixa do Laboratório de Cerâmica do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal da Paraíba, seguida da queima inaugural com a produção cerâmica dos alunos. Nele estão detalhadas as etapas do processo: construção, enfornamento, queima e desenfornamento. Destaca ainda a participação coletiva e homenageia o ceramista Abimael Fonseca. Com imagens poéticas mediadas especialmente pelo elemento fogo, acompanhadas pela delicada trilha sonora original composta por Paulino de Oliveira Neto, o vídeo registra um dos processos milenares de queima cerâmica mantido pela tradição oral.

Ficha Técnica

depoimento Abimael Fonseca
direção Rosilda Sá
roteiro Roberta Crispim, Rosilda Sá
edição Rosilda Sá, Yorster Queiroga
técnico de edição Yorster Queiroga
trilha sonora original Paulino de Oliveira Neto
câmera Daslei Ribeiro (depoimento), Rosilda Sá (VHS-C)
pós-produção Daslei Ribeiro, Roberta Crispim
produção Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Coordenação Institucional de Educação a Distância - CEAD, Laboratório de Desenvolvimento de Material Instrucional – LDMI

duração 17’10”

2004

ler matéria em
http://www.ceramicanorio.com/miscelanea/mestreabimaelufpb/mestreabimaelufpb.htm

disponível para empréstimo na biblioteca central da ufpb, campus I, joão pessoa
http://www.biblioteca.ufpb.br/

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NEXOS #3 - fundação espaço cultural, joão pessoa


Nexos#3, 2008
Argila, madeira, tela de arame, tecido, terracota, pregos, fios de metal e elástico, cascalho, citação da carta do cacique Seattle ao Presidente dos EUA em 1885
Dimensões variáveis
Vista da Sala Especial - Rosilda Sá, durante o XII Festival Nacional de Arte, Fundação Espaço Cultural, João Pessoa
fotos Adriano Franco e Verônica Belli (acima), Rosilda Sá (abaixo)





"O contato com a argila, matéria informe, matriz, permissiva, plástica revela uma poética artesanal. A decorrência desse encontro favorece a compreensão de analogias, imersões, revelações de metáforas. Modelar a argila é gesto ancestral, evoca de maneira simbólica devaneios imemoriais e involuções. Ação dirigida à matéria, modelar requer contato corporal, manipulações, acúmulos, repetições, dentre outros procedimentos, que no caso particular desta obra, apresenta relações lúdicas, experimentais, híbridas, contaminadas e expandidas...

...Uma das pesquisas revolucionárias na nova linguagem científica é a do físico Fritjof Capra. No livro “A teia da vida”, ele descreve os inter-relacionamentos e as interferências entre fenômenos psicológicos, biológicos, físicos, sociais e culturais, ajudando a nos ver a realidade, o mundo e a vida de outra forma, apontando para a “alfabetização ecológica” e a necessidade de nos reconectar com a teia da vida, construindo, nutrindo e educando “comunidades sustentáveis, nas quais podemos satisfazer nossas aspirações e nossas necessidades sem diminuir as chances das gerações futuras” (CAPRA, 2006, p.231)....

...Provavelmente a matéria mais representativa para tratar destas questões seja a argila/terra, afinal ela está no centro do exemplo mais difundido a respeito da história cósmica a qual o homem atribuiu à sua gênese – o homem veio da terra e a ela retornará. O trabalho do ceramista se assemelha ao da própria criação divina do homem, como um demiurgo. Incorporando a força dos elementos primordiais da natureza, onde a água amolece a terra, o ar seca e o fogo a endurece, num ciclo dinâmico, mantendo esses elementos em profunda simbiose."


Rosilda Sá


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Referências

CAPRA, Fritjof. A teia da vida : uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Tradução Newton Roberval Eichemberg, São Paulo: Cultrix, 2006.

SÁ, Rosilda. Sistemas elementares de queima : uma alternativa para as aulas de cerâmica. João Pessoa, 2001. Monografia (Especialização em Artes) – Departamento de Artes, Universidade Federal da Paraíba.

_____ ; CHAVES, Dyógenes. Relações, conexões, vínculos: amplexos. In: Segunda Pessoa. João Pessoa, Ano 2, n. 2, out-dez 2007. Entrevista.


Montagem Ivanildo Oliveira e Rosilda Sá

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NEXOS – videopoema documental


direção Chico Dantas


Exposta numa Sala Especial durante o XII FENART – Festival Nacional de Arte, na Fundação Espaço Cultural, em João Pessoa, entre 19 e 26 de abril de 2008, a instalação Nexos #3 apresenta uma teia rica em movimento, formada de laços, de nós construídos de argila endurecida pela queima (terracota) e fios de metal e elástico presos com pregos sobre a parede. Nexos é uma obra que está em processo. Ao ser tema deste vídeo, o processo se expande, não é mais individual, mas compartilhado, pois motiva a criação de uma nova produção artística.

Chico Dantas denomina seu trabalho de vídeopoema documental, norteado pela citação da carta do cacique Seattle: “Tudo está entrelaçado, o homem não teceu a trama da vida, ele é apenas um fio...” – que faz parte desta obra –, ele entrelaça suas leituras sobre a instalação sem fugir do que Jorge Coli considera a “ética da obra”. Ao contrário, ele capta o que já está exposto e dá nexos às coisas, inclusive, mostra as reações do público que a vivencia. Ao fazer o que designa edição de espírito, ele, intuitivamente valoriza aspectos que o olho humano não vê, mas que a câmera registra e que são revelados no processo de edição – para ele, “só tem vida se tiver um bom caráter”.

Inspirado pela elasticidade dos fios que compõem a instalação e usando recursos digitais, o diretor transformou a dureza da argila queimada em flexibilidade e criou a animação das figuras dos nós, envolvendo um diálogo entre movimentos, formas, sons e cores. Desta maneira, ele nos dá a impressão de ter voltado ao estado original da argila, com a sua plasticidade.
O áudio foi gravado ao vivo com a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba e o Coral da UNIPÊ interpretando a música “Ameno” do grupo Era, sob a regência do maestro Luiz Carlos Durier.

Rosilda Sá


disponível para empréstimo na biblioteca central da ufpb, campus I, joão pessoa


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No final de 2008, este grupo de pesquisa foi reestruturado e passou a ser denominado MAMETO - MAtéria, MEmória e conceiTO em poéticas visuais contemporâneas.
Líder Profª Drª Maria Virgínia Gordilho Martins (PPGAV/EBA/UFBA)
design Fábio Gatti
foto Verônica Belli
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Construção Coletiva: a cerâmica na escola (vídeo)




SINOPSE

Este vídeo apresenta o registro poético da construção do mural cerâmico no Centro Estadual Experimental de Ensino-Aprendizagem Sesquicentenário - CEEEAS, em João Pessoa, Brasil.
Em 2003, o CEEEA-Sesquicentenário completou onze anos de administração participativa, respaldada pela Cooperativa de pais e professores, se estruturando como escola modelo no Estado da Paraíba. Uma escola pública de qualidade.
Para celebrar esta data e pensando num Projeto que envolvesse os alunos da escola, os professores, a administração, os pais, a comunidade e a Universidade Federal da Paraíba, a Profª Marília Diaz idealizou e coordenou “A Arte Registra a História”, com o apoio da Coordenadora Geral do Sesqui Profª Lúcia Giovanna Duarte de Melo.
Este Projeto visou a construção de um mural cerâmico modelado por 1500 alunos durante as aulas de Arte, configurando-se num espaço para as informações visuais de caráter cognitivo e afetivo que registrou a história recente do Sesquicentenário. Com a concretização do mural, após seis meses de trabalho, a experiência estética passou a ocupar outros espaços na escola, podendo ser vivenciada por todos.



ficha técnica

roteiro e imagens Rosilda Sá
edição Sandoval Fagundes, Yebá Ngoamãn
músicas Milton Dornellas, Totonho, Marcus Fonseca e Xisto Medeiros
apoio Universidade Federal da Paraíba – UFPB
Cooperativa de Ensino de João Pessoa
Secretaria de Educação do Estado da Paraíba

duração 7’46”

2003


O vídeo está publicado pela DVDteca Arte na Escola, do Instituto Arte na Escola, acompanhado do material educativo para o professor propositor com a autoria da Profa. Marília de Oliveira Diaz e coordenação das Profas. Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque.

sonhos de argila





SONHOS DE ARGILA, DESEJO DAS MÃOS

direção Elisa Cabral

sinopse


O vídeo mostra a trajetória de criação de uma obra da ceramista paraibana Rosilda Sá, destacando a dinâmica de transformação da argila, desde a sua extração, a uma posterior preparação mediada pelo acréscimo da água, que lhe dá o ponto de plasticidade modeladora. Mostra ainda, sua pesquisa artística de incorporação do metal à argila ainda maleável. O processo finaliza com a queima em forno a lenha, onde a força dos elementos ar e fogo representam a solidificação do próprio processo de criação. O vídeo apresenta, assim, uma síntese alquímica dos quatro elementos da natureza – terra, água, fogo e ar.


direção e fotografia Elisa Cabral
edição Sormani Borborema
música Uakti
apoio NUDOC/UFPB/CNPq
duração 13’
1992


disponível para empréstimo no Pólo Arte na Escola, 1º andar da Biblioteca Central da UFPB, Campus I, João Pessoa

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Sistemas Elementares de Queima: uma alternativa para as aulas de cerâmica

SISTEMAS ELEMENTERES DE QUEIMA: uma alternativa para as aulas de cerâmica (monografia)

Considerando a inexistência de fornos cerâmicos numa parcela das escolas públicas no município de João Pessoa – PB, justificada pela falta de dotação orçamentária, apresentam-se neste trabalho, modos simplificados, iniciais e economicamente acessíveis, com ênfase na tecnologia primitiva (praticada desde a Pré-História), ligada à queima e aos fornos para a obtenção da cerâmica de baixa temperatura (chamada terracota); no intuito de que a cerâmica não seja suprimida das propostas pedagógicas das escolas, nem dos programas dos professores que lecionam a disciplina Arte. Enfocam-se as aplicações e limitações, as construções e manuseios, apresentando vários sistemas de queima: a fogueira, o buraco, os fornos de estrutura fixa e as queimas alternativas (a exemplo do forno de papel). Destaca-se a queima como principal etapa do processo cerâmico, por transformar irreversivelmente a argila crua numa nova matéria. Esses sistemas de queima, por estarem ligados aos processos poéticos de diversos ceramistas, revelam-se em obras indígenas, populares e eruditas, apresentadas num capítulo sobre a História da cerâmica. Com isto, discute-se acerca da democratização e diversidade cultural no ensino de Arte (particularmente as artes visuais) no contexto escolar; centrado nas escolas com suas infra-estruturas, nos professores e seus programas, e nos alunos com suas bagagens sócio-culturais.

SÁ, Rosilda. Sistemas elementares de queima: uma alternativa para as aulas de cerâmica. João Pessoa, 2001. Monografia (Especialização em Artes). Departamento de Artes. Universidade Federal da Paraíba.

Orientadora Profª Marília de Oliveira Garcia Diaz

disponível para empréstimo:

biblioteca central da ufpb, campus I, joão pessoa


biblioteca da Escola de Belas Artes, ufba, salvador

revista conceitos



Formas e nexos na obra de Rosilda Sá

Primitivo e contemporâneo, argila, metal, madeira, plástico, fotografia, vídeo, tudo ganha coerência pelas mãos da artista plástica Rosilda Sá. Sua arte transcende a plasticidade tátil, entra no âmbito abstrato, conceitual e exige o olhar reflexivo do observador.

Natural de João Pessoa, professora do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Rosilda Sá realizou várias exposições individuais, dentre elas “Amplexos”, “Fragmentação” e “Fragilidade” e participou de várias exposições coletivas. No Brasil, expôs em Recife, Belém, Rio de Janeiro, João Pessoa, Curitiba, São Paulo, Uberaba, Ribeirão Preto, Aracaju, Cuiabá, Olinda. Além fronteiras, Rosilda expôs em Marselha, Berlim, Dresdem, Havana, Bruxelas. Recentemente tem se dedicado à produção de vídeos, dirigiu “Construção Coletiva: a cerâmica na escola”, “Mestre Abimael e a Queima Cerâmica: compartilhando saberes tradicionais” e lançará em 2007 “Forno de Papel”.

Nesta décima terceira edição da Revista Conceitos Rosilda Sá nos cede “Nexos”, imagem que ilustra a capa principal desta publicação tão plural quanto os trabalhos da artista-docente. A escolha das obras aqui reproduzidas vai além de uma homenagem ao trabalho de Rosilda, chega adiante como gratidão por tanta dedicação e compromisso com a arte, e segue como ferramenta de disseminação de sua obra. Uma trajetória que encontra na pesquisa conceitual, formal e material o elo intransponível da arte.
edição henrique frança e ricardo araujo
Conceitos, João Pessoa, v.6, n.13, nov. 2006

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entrevista

RELAÇÕES, CONEXÕES, VÍNCULOS: amplexos
Dyógenes Chaves – Parece-nos que ser artista tem a ver com uma espécie de obstinação e fascinação permanente. Qual é o papel desta fascinação, num sistema de compensações que leva um indivíduo a sobreviver do seu sustento e realizar seu sonho?

Rosilda Sá – O artista vive em permanente estado de processo, um contínuo de pesquisa, de trabalho. Artista é aquele de espírito inquieto, mas, sobretudo, aquele que se mantém sintonizado com seu tempo. O filósofo Gaston Bachelard, no livro O Direito de Sonhar (1994), ao falar sobre o artista, diz: “Em sua vida chega a hora em que o trabalho domina e conduz sua destinação. As infelicidades e as dúvidas podem atormentá-lo por muito tempo. [...]. Mas a vontade de obra não se extingue desde que ela encontrou uma vez seu verdadeiro foco. Começa então o destino de trabalho.” (p.31).

Parece-me que esse “destino de trabalho” sentenciado por Bachelard alimenta a “fascinação” e a “obstinação” que você coloca. E entendo que essa “vontade de obra” dita por ele talvez possa ser explicada pelo desejo que o artista tem em passar pela vida deixando uma marca, deixando algo de significativo – de que viver não foi em vão. Assim, ele burla a morte, porque sua obra – a arte – está ligada ao infinito, tem vida própria.

O desenvolvimento de um artista é um processo complexo e imprevisível; certamente por isso, nem todos conseguem atingir a maturidade artística. Creio que este é o grande sonho de qualquer artista; no entanto, produzir uma obra madura, especialmente inserida no contexto da arte contemporânea, não quer dizer mercado garantido a ponto de se conseguir “sobreviver do seu sustento”. São muitos exemplos de artistas contemporâneos que produzem obras consistentes, estão inseridos no circuito oficial, mas precisam se envolver em outro tipo de trabalho para se manter e até subsidiar suas produções artísticas.

Ter uma excelente articulação, uma excelente obra reconhecida por curadores e críticos, estar inserido no circuito oficial nacional e internacional, ter mercado e patrocinadores garantidos, tudo isso é a química perfeita. Só que agora passamos a falar da administração da carreira artística e do trânsito político em torno do jogo de relações sistêmicas que mantêm a arte...

DC – Apesar de existir há tempo, a arte conceitual parece algo só da contemporaneidade. Isso desperta ainda grande interesse por instalações, performances e obras conceituais. Você acha que há espaço para “arte tradicional”?

RS - Quando você fala em “arte tradicional” é pertinente conceituá-la, pois, determinadas técnicas são tradicionais, como a pintura, a escultura, a gravura, a cerâmica. Dependendo da qualidade da produção, serão obras inseridas no contexto da arte contemporânea. A arte popular, por exemplo, é tradicional, mas sabemos que ela faz parte do rol de fontes referenciais de artistas inseridos no contexto da norma culta.

No que diz respeito ao sistema cultural, ele é vivo, está em constante movimento, é vasto, é intrincado, pois abarca diferentes manifestações, significações e linguagens, todas desenvolvidas nos vários segmentos sociais. Parecem existir vários circuitos dentro do grande sistema, pois tudo o que é produzido é consumido, independente de sua qualidade. A arte produzida na cena contemporânea é reflexo do acúmulo e dos avanços históricos. Vários movimentos, ao longo da História da Arte, foram responsáveis por rupturas de parâmetros de categorização. O minimalismo e a arte pop na década de 1960, nos Estados Unidos, por exemplo, tiveram papel importante, pois desafiaram as classificações habituais. Muito antes dessa época, em 1917, quando Marcel Duchamp apresentou seu ready-made intitulado “Fonte”, a arte, como diz Roberta Smith, que escreveu sobre arte conceitual no livro Conceitos da Arte Moderna (1997), “nunca mais voltou a ser a mesma”. A autora explica que o fato de esta obra ter sido rejeitada ajudou a transformá-la na “quintessência da obra de arte ‘protoconceitual’” (p.182).

Na cena contemporânea, observa-se uma diluição de fronteiras entre as artes. As artes visuais interagem com outras linguagens – literatura, música, dança, teatro, cinema, design, etc. –, além de incorporar as novas tecnologias. Isto continua a desafiar a própria definição de arte. São diversas as formas de expressão, as propostas estéticas e as poéticas que utilizam não só a instalação e a performance como linguagens plásticas, mas a vídeo-instalação, vídeo-arte, site-specific, web-art, a instauração e muitas outras....


DC – Qual é o papel das instituições de ensino diante do artista contemporâneo? O que espera deste segmento?

RS - Creio que as instituições de ensino e a educação formal têm papel importante para o artista contemporâneo que pretende se aprofundar. A formação e a profissionalização geram, sobretudo, consciência na produção artística. Um excelente exemplo são as pesquisas em artes visuais vinculadas aos programas de pós-graduação, os quais se consolidam no Brasil, ainda que sejam poucos para atender a uma demanda crescente. A pesquisa sistemática, o processo de trabalho de cada artista, a articulação entre a prática e a reflexão, concomitantes à produção textual, se constitui no cerne da pós-graduação em linguagens ou poéticas visuais. Inúmeros outros programas de pós-graduação em diversas áreas do conhecimento são de fundamental importância para o campo teórico da arte.

Particularmente, desejo continuar seguindo pelo caminho acadêmico. Quero crer que, dentro de alguns anos, estes específicos programas de pós-graduação em artes visuais serão oferecidos através das universidades em muitos dos Estados do Brasil, democratizando, assim, o seu acesso.

DC – A arte hoje também é moeda corrente na economia globalizada e tratada como mercadoria. Haveria um modo para o artista entrar na indústria comercial sem o risco de perder sua identidade pessoal ou “marca registrada”?

RS - A questão da globalização e da produção em artes visuais é complexa; é, porém, primorosamente analisada, com principal enfoque ao Nordeste do Brasil, por Moacir dos Anjos no livro Local/Global: arte em transito (2005). O autor explica que o mundo contemporâneo tem sentido os efeitos da globalização e suas conseqüências nas áreas da economia, da política e da cultura, de modo que este se torna cada vez mais “poroso e interligado”. No campo das artes visuais, a despeito dos evidentes conflitos gerados pelas alterações nas “formas de representação visual de identidades e culturas”, ao se questionarem “normas discursivas eurocêntricas”, estaria a “exposição das diferenças” (p.10).

Considerando a produção em artes visuais no Nordeste do Brasil, sem a intenção de mapear, o autor menciona a obra de Marepe, Denílson Uchoa, José Patrício, Martinho Patrício e Efraim Almeida – os quais, por sinal, vêm consolidando carreiras artísticas destacadas – e defende:

A partir de memórias, materiais e procedimentos fincados em suas experiências reais e imaginadas de Nordeste [...], artistas visuais nordestinos, residentes ou não em suas terras natais, também têm esboçado maneiras próprias de lidar com o sombreamento dos limites arbitrários de sistemas de representação simbólica, criando discursos que continuamente trafegam entre os vários espaços e tempos em que são instados a viver na contemporaneidade. (pp.63-64).

Assim, fica claro que, diante dos trânsitos de influências no campo da cultura, os artistas não ficam passivos; são agentes significativos quando produzem obras originais, ou seja, quando adicionam “ao repertório simbólico do mundo algo que não existia ainda” (p.21). Portanto, algo novo.

DC – Fale de sua mais recente produção. O que é e o que pretende Amplexos?

RS - A exposição “Amplexos” foi realizada em outubro de 2005, no Centro Cultural de São Francisco, aqui em João Pessoa. Selecionada para o Projeto Artes Visuais, contou com a curadoria e texto crítico da Profa. Dra. Maria do Carmo Nino.

Derivado do latim, amplexo designa abraço. Conceitualmente, trata-se de um abraço espiritual, mítico, simbólico, que nos liga a todos e a tudo, numa malha infinita. Isto, porque a concepção desta exposição tratou das relações, conexões e vínculos entre o ser humano e a sua existência: os nexos com outros seres humanos e consigo mesmo, com o mundo e tudo o que ele contém, com o material e com o espiritual, enfim, com o universo das relações cotidianas do ser...

...Os aspectos conceitual e matérico das obras desta exposição evidenciaram as qualidades primitivas, essenciais e sensíveis da argila após a queima, ou seja, a terracota ou ela carbonizada. Sendo assim, as obras estavam impregnadas de simbolismos e energias.

A obra central da exposição foi a instalação “Nexos”, de dimensões variáveis, iniciada em 2004 e ainda em processo. Uma obra aberta que contou (e conta) com a participação de outras pessoas, inclusive no dia da abertura da exposição foi disponibilizada argila para que as pessoas deixassem seus nexos e levassem de presente outros. Então trocamos nexos. Convidar as pessoas a participarem da construção da obra é abraçá-las.

Formalmente são nós, elos, laços, entrelaçamentos, emaranhados, fios construídos de argila maleável e endurecidos após a queima. Fios de terracota, de arame, de cobre. Recentemente incorporamos, também, fios de outros materiais, que podem estar soltos, paralelos, cruzados e amarrados, porém, presos por pregos na parede. A obra foi montada na “Sala do Capítulo”, numa parede que parece uma espécie de nicho...

...Na outra sala, denominada “Corredor da Via Sacra”, estavam os objetos da série “Sublimação” e “Sem título” (2004-2005). A estas obras está presente o jogo que opera com extremos, desenvolvido como pesquisa plástica desde 1990, quando passei a associar a argila e o metal, observando o comportamento específico de cada material, suas complexidades, seus conceitos, numa espécie de síntese e ao mesmo tempo de embate entre eles. Nesta mesma sala, também estava montada a instalação “Sublimatórios”, de 2005, de dimensões variáveis, numa alusão à própria história da cerâmica ligada ao objeto utilitário e sua principal função de transformar, cozinhar, guardar alimentos. A obra apresentou objetos utilitários em terracota, de variadas formas e tamanhos, expostos de forma crescente sobre uma plataforma rústica coberta com argila, numa espécie de altar, de fogão ou de forno. Os fornos e o fogo vistos nas fotografias que fazem parte da obra pontuaram a etapa de sublimação da matéria, de transformação definitiva. Cada forma utilitária disposta lado a lado, formando um grande conjunto, atua como unidades de comunicação, de harmonia e convívio, expondo assim as dualidades: igualdade e diferença, pluralidade e singularidade.

A concepção da obra está ligada às minhas memórias e à imagem que, na adolescência, eu via semanalmente na feira livre de Casa Amarela, em Recife, onde eu a freqüentava com a minha mãe. A motivação para eu acompanhá-la não estava apenas em lhe fazer companhia ou ajudá-la, mas em poder estar próxima, em tocar e ver os objetos cerâmicos e a maneira como os vendedores arrumavam as peças no chão, separadas formalmente e por tamanhos, em conjuntos que me encantaram e ficaram gravados em minha mente.

As obras apresentadas não encerraram questões; muito pelo contrário, abriram novas possibilidades e direções para trabalhos futuros.

Desde que entrei em contato com a argila, em 1983, esta matéria e o universo cerâmico fazem parte do centro de minha pesquisa plástica, do meu processo poético. Como no fazer cerâmico, a vida inteira é um exercício contínuo de amadurecimento, numa espécie de modelagem, a modelagem da vida.
SÁ, Rosilda; CHAVES, Dyógenes. Relações, conexões, vínculos: amplexos. In: Segunda Pessoa. João Pessoa, Ano 2, n. 2, out-dez. 2007. Entrevista.
entrevista concedida à Dyógenes Chaves em 2005, publicada na Revista Segunda Pessoa, dez. 2007
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amplexos - centro cultural de são francisco, joão pessoa


Sublimatórios, 2005
Objetos utilitários em terracota, tijolos, argila, areia, madeira, plástico, fotografias
Dimensões variáveis
Vista da instalação Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa
foto Gustavo Moura
  • AMPLEXOS COMO PENSAMENTO SOBRE LIMITES (*)


Ao observar a obra recente da artista Rosilda Sá e verificando o farto material da sua já longa trajetória, imagino de imediato que uma das suas mais constantes motivações parece convergir para pensar a ambigüidade do entre, do meio, fato que, por extensão, ajuda-nos a pensar também: fendas e sobreposições, separações e uniões, quebras e encontros, espaços intermediários, granulações, anelações, articulações entre as formas, incrustações, associações de materiais funcionam nos seus trabalhos como uma maneira de refletir sobre a noção de limite...


...A obra vai então se dar nessa busca de equilíbrio e de oposição entre incisões, cortes, granulações, trabalho intenso sobre a argila, sugerindo ao mesmo tempo a manipulação refinada e experiente de uma matéria com consonâncias arcaicas e a inteligência e sofisticação das soluções formais e espirituais apresentadas por Rosilda...

...Seus objetos resistem à pura sedução formal dirigida apenas ao olhar, obrigando-nos a considerar na proposta final a dimensão sem a qual a arte não se dá: não sendo apenas criação de formas, mas principalmente de substâncias, convivendo em consonância, como é o caso para esta exposição, com o belo espaço do Centro Cultural de São Francisco...


Maria do Carmo Nino


(*) texto publicado no folder da exposição
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“(...) Finalmente chego ao São Francisco, à exposição de Rosilda Sá. Uma volta ao tempo, às nossas origens mais remotas, imemoriais, não registradas nos anais leigos ou nos sagrados. Memórias da infância do mundo, quando os elementos ainda lutavam para se unir, para iludirem o caos primevo...

...Enquanto percorria a exposição, me ocorreu um pensamento: embora aquele templo seja consagrado a São Francisco, a tradição cristã nos diz que é Pedro a pedra fundamental da instituição original da cristandade. Ao levar seus “Amplexos” para o seio da Igreja, Rosilda empreende então uma viagem de volta às nossas origens cristãs, bíblicas, realizando um amplexo mítico preconizado no seu projeto artístico. E esta viagem está mais evidentemente epitomizada em pelo menos dois dos espaços da exposição: primeiro no espaço em que está abrigado “Nexos”, um arco, um nicho que outrora deve ter contido uma capela, um altar. Ao depositar ali os seus nós, Rosilda eleva sua arte ao nível do mítico, do simbólico...

...Em outro espaço, está erguida uma plataforma, uma espécie de altar, totalmente recoberto de objetos de cerâmica. Estão dispostos em tamanho crescente, desde os mais pequenos, aos mais avantajados. Nas paredes de fundo estão fixadas duas fotografias de fornos para queima cerâmica. De novo, o mítico se engendra. As peças que estão sobre esse “altar” são do tipo mais primitivo, aquelas pecinhas encontradas nas feiras, os jarrinhos, as quartinhas, as jarras, as gamelas de uso cotidiano, utilitário, lúdico ou infantil. Aqui Rosilda presta seu tributo ao artista anônimo, ao artesão, ao oleiro, figura também bíblica, que modela a argila da mesma forma que o Criador moldou a matéria inerte para produzir sua maior criação. Isso me remete, irremediavelmente, à humildade das nossas origens.

Saio da exposição de Rosilda bem mais humana. Demasiadamente humana, talvez, me lembrando que pertenço à uma espécie que volta, inevitavelmente, ao pó. (...)”


Maria das Vitórias de Lima Rocha
curadoria maria do carmo nino

montagem da exposição ivanildo oliveira, rosilda sá e josé domingos de medeiros (pedreiro)

oleiros valdecy mendes de freitas e josé antonio bizerra

© Todos os direitos reservados.

algumas "séries" de obras

Complementação (da série Quebra-cabeças), 2005
Terracota carbonizada, madeira pintada
Dimensões variáveis

Coleção Particular, João Pessoa
foto Rosilda Sá


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Sem título (da série Pinhas), 1997
Terracota engobada, pregos e grampos
38 x 24 x 25 cm

Coleção da artista
foto Jeans Beuthler





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Sem título (da série Orgânicos), 1994
Terracota engobada, grampos, pregos e arames
27 cm (diâmetro)

Coleção Galeria LGC Arte, Rio de Janeiro
foto Roberto Coura



ESCULTURAS EM CERÂMICA E FERRO (*)

Com a experiência de treze anos de trabalho em cerâmica, Rosilda Sá vem se dedicando, atualmente, a um embate peculiar que consiste em testar os limites de resistência da argila a elementos estranhos à sua natureza. É neste limiar que se processa, agora, a longa experiência desta artista e que se constituem as questões colocadas por seu trabalho.

Testar limites de resistência pressupõe a possibilidade de sucesso ou fracasso. Com a cerâmica, este é um jogo de tudo ou nada. A tensão de operar com estes extremos implica, por um lado, na coragem de correr riscos e, por outro, na incorporação deste dado na própria qualificação da obra. Resulta daí um tipo de prazer que resgata um sentido mais profundo da arte como disponibilidade para o jogo, para o vago, o indefinido, ou seja, da arte como uma maneira refinada de brincar e formar. Desta maneira, recupera-se, também, o fazer enquanto invenção, pois, não se trata aqui de um jogo/produção que se constitui segundo regras dadas a priori. A matéria formada não é a realização de um projeto ou a execução do já ideado, mas um fazer que enquanto faz, inventa o por fazer, materializa o objeto singular e o sentido original ao integrar o aspecto realizador ao aspecto inventivo. A obra concebe-se, assim, executando, inventando e, ainda, incorporando o que neste trajeto aparece, em princípio, como arbitrário. A obra é, portanto, um ser formado, organismo autônomo e construção racional capaz de estabelecer novas correspondências.

Deste modo, os objetos/esculturas de Rosilda Sá apresentam-se como produto da tensão de um procedimento que assume o vago, a dúvida, o risco e, ao mesmo tempo, luta pela superação do fracasso, da negatividade. Estas inflexões operativas acabam por refletir, inversamente, uma positividade e o orgulho pela resistência/existência: a possibilidade tornada matéria concreta é afirmativa do seu sentido. Por outro lado, a tensão deste processo que joga com possibilidades extremas desdobra-se numa qualidade dramática que não elimina o prazer, a graça e a ironia como elementos do jogo.

O percurso/estratégia de Rosilda Sá começa pela projeção de uma certa força vital primitiva desencadeada pela própria natureza da técnica de modelagem da argila. Trata-se de uma etapa de pura artesania na qual a massa maleável obedece, dócil, à ação inteligente da artista e que evoca, coerentemente, formas orgânicas ou arcaicas. A esta gestualidade inicial, direta e vigorosa, opõe-se o contraste provocado pela incorporação de peças e pedaços de ferro. São refugos corroídos pelo tempo e pelo uso. A pintura da argila, à base de óxidos e corantes, articula, com tons e textura envelhecidos, a passagem entre a modelagem espontânea do primeiro momento do trabalho e a montagem pesada deste segundo momento.

Com os objetos de ferro, ao contrário da cerâmica que se faz moldando, segue-se um método que se opera escolhendo e desbastando. É um tipo de produção que constrói, não por associações fortuitas, mas por uma inteligência seletiva que relaciona o ato de colecionar e o ato de montar. Resistindo à sedução formal que satisfaz apenas os sentidos e aí se esgota, Rosilda Sá amplia seu discurso plástico ao criar com este novo elemento um contraponto, um obstáculo mesmo a pura fruição sensível. Alcança-se, assim, o patamar de uma lógica formal mais consistente que apela para o olhar reflexivo.

O enfrentamento entre métodos e materiais aparentemente incompatíveis remete a um confronto mais amplo entre as forças dos modelos originais - das leituras diretas da natureza - e as forças dos modelos virtuais, dos atalhos da experiência que constituem o âmbito inexorável do universo da cultura. Delineia-se, assim, o campo problemático no qual a obra de Rosilda Sá opera seus embates formais. Cada obra aponta um resultado diferente para este embate, uma acomodação específica entre forças divergentes sem eliminar, no entanto, a ambigüidade estrutural que permeia toda obra de arte. Deste modo, as diversas leituras possíveis não esgotam o sentido do trabalho já que a sua semântica está incorporada ao gesto formativo, ao modo sempre renovado de resolver cada obra. Resolução esta que aponta, em última instância, para uma tentativa de reconciliar dualidades humanas ontológicas.


Sylvia Ribeiro Coutinho


(*) texto publicado no catálogo da exposição individual, Galeria Sérgio Porto, Rio de Janeiro, 1996

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Sem título (da série Orgânicos), 1992
Terracota engobada, pregos e parafusos
33 cm (diâmetro)

Coleção particular, João pessoa
foto Roberto Coura